As funções de um farmacêutico – Parte 2


O farmacêutico tem um papel muito importante na farmácia, na semana passada falamos sobre suas atribuições internas, quais são suas obrigações e deveres nos afazeres da rotina diária de uma farmácia.

Hoje dando continuidade ao assunto, vamos falar sobre a função do farmacêutico junto aos pacientes da farmácia e perante toda a sociedade.

Vamos entender o quão importante esta profissão é. O farmacêutico não é apenas um atendente atrás do balcão, ele possui sua responsabilidade social também.

Atribuições do farmacêutico

Atividades Clínicas

a) Avaliação da prescrição

É de responsabilidade do farmacêutico avaliar todas as prescrições antes de serem aviadas.

Em casos de eventuais dúvidas ou problemas detectados na avaliação da receita, o farmacêutico deve entrar em contato com o prescritor, de maneira educada, ética e profissional, para obter os esclarecimentos necessários.

b) Dispensação

É neste momento que o farmacêutico orienta o paciente sobre o uso correto, seguro e racional de medicamentos.

Ele dá ênfase à dosagem, explica sobre as possíveis interações (com outros medicamentos e/ou alimentos), reações adversas potenciais e condições de conservação dos medicamentos, principalmente dos medicamento termolábeis e sujeitos a controle especial.

Deve-se considerar a orientação ao paciente no ato da dispensação, como algo tão ou mais importante que o próprio medicamento/produto em si.

c) Prescrição farmacêutica

É o ato pelo qual o prescrito seleciona, inicia, adiciona, substitui, ajusta, repete ou interrompe a farmacoterapia do paciente e documenta essas ações, visando à promoção, proteção e recuperação da saúde, e à prevenção de doenças e de outros problemas de saúde.

O farmacêutico pode realizar a prescrição de medicamentos e outros produtos com finalidade terapêutica, cuja dispensação não exija prescrição médica.

Isso inclui medicamentos industrializados e preparações magistrais (alopáticos ou dinamizados), plantas medicinais, drogas vegetais e outras categorias ou relações de medicamentos que venham a ser aprovadas pelo órgão sanitário federal para prescrição do farmacêutico.

d) Acompanhamento farmacoterapêutico

O acompanhamento farmacoterapêutico feito pelo farmacêutico tem como objetivo a prevenção, detecção e resolução de problemas relacionados a medicamentos e o acompanhamento de sua utilização, de forma sistemática, contínua e documentada.

Para este acompanhamento é necessário, entre outros aspectos, a construção do perfil farmacoterapêutico, que é o registro das informações do paciente relacionadas à utilização de medicamentos.

Cabe ao farmacêutico estabelecer os critérios para a seleção dos pacientes que terão os perfis farmacoterapêuticos elaborados e a terapêutica farmacológica devidamente acompanhada, com base em critérios como: tipo de enfermidade, característica e quantidade de medicamentos utilizados.

O farmacêutico pode iniciar esse serviço escolhendo um determinado tipo de patologia e especializando-se no tema, para fazer o acompanhamento de pacientes com esta enfermidade.

e) Farmacovigilância

De acordo com o conceito da Organização Mundial de Saúde (OMS), a farmacovigilância é definida como “a ciência e atividades relativas à identificação, avaliação, compreensão e prevenção de efeitos adversos ou quaisquer problemas relacionados ao uso de medicamentos”.

Cabe à farmacovigilância identificar, avaliar e monitorar a ocorrência dos eventos adversos relacionados ao uso dos medicamentos comercializados no mercado brasileiro, com o objetivo de garantir que os benefícios relacionados ao uso desses produtos sejam maiores que os riscos por eles causados.

Além das reações adversas a medicamentos, são questões relevantes para a farmacovigilância: eventos adversos causados por desvios da qualidade de medicamentos, inefetividade terapêutica, erros de medicação, uso de medicamentos para indicações não aprovadas no registro, uso abusivo, intoxicações e interações medicamentosas.

O farmacêutico deve se conscientizar de sua importância, uma vez que as notificações servem de subsídios para orientar os pacientes sobre possíveis reações adversas advindas da utilização de determinados medicamentos.

f) Administração de medicamentos (aplicação de injetáveis e inaloterapia)

É permitido ao farmacêutico prestar os serviços de inaloterapia e aplicação de injetáveis em farmácias e drogarias devidamente autorizadas.

Vale destacar que, para realizar esses serviços, deve-se exigir a apresentação de prescrição médica e fazer a devida aplicação da mesma.

A aplicação de medicamentos injetáveis nesses estabelecimentos só pode ser realizada pelo farmacêutico ou profissional habilitado sob sua supervisão.

Vale ressaltar que todas as aplicações realizadas devem ser registradas em livro próprio, além de fornecer ao paciente, após a realização do serviço, a Declaração de Serviços Farmacêuticos.

Recomenda-se, por questão de segurança, apor no verso da
prescrição a data em que foi realizada a aplicação, bem como carimbo e assinatura do profissional farmacêutico que prestou ou supervisionou o serviço realizado.

g) Aferição de parâmetros fisiológicos e bioquímicos

Os estabelecimentos devidamente licenciados pela Vigilância Sanitária podem oferecer os serviços de:

  • Aferição de pressão arterial
  • Aferição de temperatura corporal
  • Aferição de glicemia capilar

O estabelecimento deve dispor de ambiente específico para os serviços farmacêuticos, que deve ser diverso daquele destinado à dispensação e circulação de pessoas em geral.

O ambiente deve garantir privacidade e conforto aos usuários, nos termos do artigo 15 da RDC Anvisa nº 44/09.

É dever do farmacêutico esclarecer que os resultados obtidos não devem ser considerados para o diagnóstico de doenças, sendo válidos somente para o acompanhamento farmacoterapêutico.

Os resultados devem ser registrados na Declaração de Serviços Farmacêuticos. No caso de qualquer alteração nos resultados, o farmacêutico deve orientar o paciente a procurar a devida assistência médica.

h) Participação e difusão de campanhas de educação em saúde

O farmacêutico, profissional de saúde mais próximo da população, tem o importante papel de orientar o cidadão sobre questões relacionadas à saúde, incluindo os sintomas, fatores de risco e prevenção de doenças, com um conjunto de ações voltadas à promoção, proteção e recuperação da saúde.

Com embasamento e informações atualizadas e corretas sobre as doenças que acometem a população, o farmacêutico contribui para a melhoria da saúde pública e para a reorientação da farmácia como estabelecimento difusor de noções básicas de cuidados com a saúde.

i) Responsabilidade solidária

O farmacêutico e o proprietário dos estabelecimentos farmacêuticos agirão sempre solidariamente, realizando todos os esforços para promover o uso racional de medicamentos.

Outra importante ferramenta de trabalho para o farmacêutico no dia-a-dia nas farmácias e drogarias são os fascículos do Projeto Estabelecimento de Saúde, disponíveis no portal do CRF-SP: www.crfsp.org.br.

I. Projeto

Destaca a forma de atuação de farmácias e drogarias como estabelecimentos de saúde, bem como o incentivo de ações transformadoras que contribuam para a valorização do farmacêutico, o uso racional de medicamentos e a melhoria da saúde pública.

II. Medicamentos isentos de prescrição

Esclarece a legislação de MIPs, apresenta exemplos práticos da utilização, além de disponibilizar nove manuais para dispensação de MIPs.

III. Serviços farmacêuticos

Mostra a situação em que se encontra a atenção farmacêutica em alguns países e esclarece os serviços farmacêuticos regulamentados pela RDC Anvisa n° 44/09.

IV. Manejo do tratamento de pacientes com hipertensão

Trata de todos os aspectos que, de alguma forma, relacionam-se à doença, como o manejo do paciente, fatores de risco, prevenção, interações, forma correta e precisa de se aferir a pressão e ações educativas.

V. O percurso histórico da atenção farmacêutica no mundo e no Brasil

Fornece ferramentas que possibilitem ao profissional melhorar suas habilidades e atitudes na integração com o paciente e a comunidade.

VI. Antibióticos

Informações fundamentais para estimular o uso racional desses medicamentos e, consequentemente, retardar a resistência bacteriana.

VII. Manejo do tratamento de pacientes com diabetes

Aborda as principais complicações e exames laboratoriais, com índices de referência, bem como o monitoramento e o tratamento do diabetes. Além disso, disponibiliza modelos das declarações de serviços farmacêuticos, guia para entrevista com o paciente e cadernetas de acompanhamento.

VIII. Dispensação de medicamentos

Importante guia técnico para subsidiar o farmacêutico na dispensação dos medicamentos, em conformidade com a legislação vigente, e acompanhada da devida orientação farmacêutica.

IX. Anti-inflamatórios

Fornece subsídios para que o farmacêutico possa intervir e orientar os pacientes e assim desempenhar cada vez melhor seu papel junto à população e sua responsabilidade frente ao uso racional de medicamentos.

X. Cuidados farmacêuticos em pacientes com depressão

Aborda tópicos como a responsabilidade do farmacêutico na dispensação de medicamentos utilizados no tratamento da depressão; fisiopatologia; farmacoterapia; os tratamentos não farmacológicos; orientação farmacêutica a pacientes com depressão; pacientes que requerem atenção especial e ainda uma seção de apêndices contendo tabelas de medicamentos e interações.

XI. Consulta e prescrição farmacêutica

Aborda responsabilidades e procedimentos do farmacêutico na prescrição, bem como uma introdução sobre: acne, dermatites, flatulência e obstipação intestinal.

Conclusão

Nós estamos acostumados apenas com as funções básicas de orientação e dispensação dos medicamentos, a maioria das pessoas não conhece esse papel social que o farmacêutico também exerce.

Caso tenha perdido o artigo da semana passada, clique aqui para acessar a parte 1, onde falamos sobre as atividades não clínicas do farmacêutico.

E vocês, sabiam que o farmacêutico tem todas essas atribuições? Nos conte nos comentários abaixo!

*Fonte: Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo – CRF SP

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